Pesquisa aponta alto reconhecimento da asma no Brasil, mas diagnóstico atrasado é obstáculo

Pesquisa aponta alto reconhecimento da asma no Brasil, mas diagnóstico atrasado é obstáculo
Levantamento indica que a maioria conhece a doença, mas pacientes relatam demora para confirmação; acesso à espirometria e qualificação da atenção primária são desafios

Em resumo

  • Pesquisa Datafolha/GSK: 84% dos brasileiros conhecem ou já ouviram falar de asma; 58% a conhecem bem.
  • Entre pacientes com asma, 46% relataram mais de três anos até o diagnóstico.
  • No Brasil há cerca de 20 milhões com asma; 5% têm asma grave, representando 50–60% dos custos.
  • Especialistas apontam falta de espirometria e lacunas na atenção primária como causas da demora no diagnóstico.

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha em parceria com a farmacêutica GSK mostra que a asma é amplamente reconhecida no Brasil: 84% dos entrevistados disseram conhecer ou ter ouvido falar da doença, e 58% afirmaram conhecê‑la bem. O levantamento ouviu pouco mais de 2.000 pessoas em todas as regiões do país e incluiu um módulo específico com 213 pacientes diagnosticados com asma, DPOC ou rinossinusite com pólipos nasais.

Demora no diagnóstico preocupa pacientes

Entre os respondentes com diagnóstico de asma, 46% relataram que passaram mais de três anos entre o surgimento dos primeiros sintomas e a confirmação médica. Quanto ao controle da doença, 44% disseram estar com a asma bem ou totalmente controlada, 33% parcial e 24% pouco ou nada controlada.

O professor José Eduardo Delfini Cançado, do departamento de pneumologia da Santa Casa de São Paulo, alerta que a ausência de diagnóstico precoce e de acompanhamento adequado prejudica a qualidade de vida e aumenta o risco de agravamento. Segundo ele, crises repetidas e tratamentos somente de emergência permitem que a inflamação avance, estreitando os brônquios e elevando o risco de desfechos graves.

Fatores que atrasam a identificação da doença

Especialistas apontam múltiplas causas para a demora no diagnóstico: lacunas na formação médica, rotatividade e sobrecarga na atenção básica, e a prática de atendimento pontual em emergências, quando o foco é conter crises em vez de investigar a causa crônica.

Outro entrave importante é o acesso ao exame que confirma a asma, a espirometria (prova de função pulmonar). Mariana Gazzotti, diretora médica de ImunoResp e Produtos Estabelecidos da GSK Brasil, afirma que em alguns municípios pacientes chegam a aguardar até um ano por esse exame, o que postergaria o início do tratamento adequado. Ela cita iniciativas de parceria, como o Programa Sopro, que oferecem espirometria para apoiar o diagnóstico em redes locais.

Impacto e trajetória de quem vive com asma grave

Michele Benevides, presidente da Associação Brasileira de Asma Grave (Asbag), narra uma jornada pessoal que ilustra a dificuldade de muitos pacientes: foram anos de idas frequentes ao pronto‑socorro, crises incapacitantes e um longo período até o controle adequado da doença. O uso prolongado de corticoides em doses elevadas deixou sequelas como diabetes, obesidade, fibromialgia, osteonecrose e perda de mobilidade.

No país, estima‑se que cerca de 20 milhões de pessoas tenham asma; aproximadamente 5% desse total apresentam asma grave. Ainda que minoritária, essa parcela responde por 50% a 60% dos custos associados à asma, equivalendo a cerca de um milhão de pacientes com doença grave, segundo Cançado.

Tratamentos disponíveis e acesso

O tratamento de manutenção recomendado para a maioria dos pacientes é baseado em corticoides inalados, que atuam localmente nas vias aéreas com menores efeitos sistêmicos do que os corticosteroides orais ou injetáveis. Broncodilatadores podem ser associados quando há necessidade de alívio dos sintomas.

Para pacientes cuja doença permanece descontrolada mesmo com esses recursos, há opções avançadas, como os imunobiológicos — medicamentos injetáveis que bloqueiam etapas específicas da inflamação e reduzem exacerbações, hospitalizações e o uso recorrente de corticoide oral. Conforme informado por especialistas, atualmente convênios têm obrigação de custear esses tratamentos e muitos protocolos e disponibilidades também envolvem a rede pública.

O que pode mudar na prática

Profissionais destacam duas frentes para melhorar o diagnóstico e o tratamento: capacitação continuada dos médicos, especialmente na atenção primária, e a ampliação do acesso à espirometria. Programas de parceria entre sociedades médicas, indústria e gestão pública são apontados como caminhos para reduzir o tempo até o diagnóstico e ampliar o tratamento adequado em um país de dimensões continentais.

Data de referência: dados e declarações citados a partir da pesquisa Datafolha em parceria com GSK e entrevistas com especialistas; o ano da pesquisa não foi informado na fonte consultada.

Revisão humana recomendada antes de publicar: confirmar atualizações sobre protocolos, cobertura por convênios e inclusão de medicamentos na rede pública.

Fontes consultadas: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-cronicas/asma/asma-e-a-doenca-respiratoria-mais-conhecida-dos-brasileiros-mas-demora-no-diagnostico-ainda-e-desafio/

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via Drauzio Varella

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