Em resumo
- Infarto silencioso provoca lesão no coração sem dor típica e representa cerca de 20% dos casos.
- Sintomas inespecíficos incluem cansaço, falta de ar, náusea, tontura e desconforto abdominal.
- Diagnóstico utiliza ECG, ecocardiograma, cintilografia, ressonância cardíaca e troponina.
- Controle de diabetes, pressão, colesterol, tabagismo e estilo de vida reduz risco de novo infarto.
Algumas pessoas chegam a descobrir que sofreram um infarto somente meses ou anos depois, quando exames de rotina ou avaliações cardiológicas revelam cicatrizes no músculo cardíaco. Esse fenômeno é chamado de infarto silencioso, e sua frequência costuma ser subestimada.
O que é e com que frequência ocorre
O infarto silencioso consiste em lesão do miocárdio causada pela redução do fluxo sanguíneo e de oxigênio ao coração, sem que o episódio tenha sido percebido pela pessoa no momento em que ocorreu. Segundo o cardiologista Cesar Jardim (Hcor), a proporção de infartos que passam despercebidos chega a cerca de 20% dos casos.
Por que nem sempre há dor no peito
A obstrução de uma artéria coronária diminui a irrigação do tecido cardíaco; quando a área afetada é pequena ou os sinais são pouco específicos, a pessoa pode não sentir a típica dor em aperto no peito. Em vez disso, sintomas discretos ou transitórios podem aparecer e ser atribuídos a mal-estar comum.
Sintomas que podem indicar um infarto silencioso
- Fadiga incomum e persistente;
- Falta de ar de origem súbita ou que aparece em repouso;
- Náusea ou vômito sem causa óbvia;
- Tontura, sensação de indisposição generalizada;
- Desconforto na região abdominal ou mal-estar que não foi investigado.
Quando esses sinais surgem de forma inesperada, especialmente em pessoas com fatores de risco cardiovascular, é fundamental procurar avaliação médica.
Principais fatores de risco
Os fatores que elevam a probabilidade de um infarto silencioso são os mesmos associados ao infarto clássico: diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia (colesterol e triglicerídeos elevados), tabagismo, sedentarismo, estresse crônico e obesidade. Idade avançada e histórico familiar de doença cardíaca também aumentam o risco; nas mulheres, a menopausa corresponde a maior vulnerabilidade cardiovascular.
Como o infarto é identificado depois do fato
Quando o episódio não foi percebido, o diagnóstico se apoia em exames que detectam sinais de lesão prévia no coração. Entre os testes úteis estão:
- Eletrocardiograma (ECG) — pode mostrar alterações compatíveis com infarto antigo;
- Ecocardiograma — avalia movimento e função das paredes cardíacas;
- Cintilografia de perfusão miocárdica — ajuda a mapear áreas com fluxo reduzido;
- Ressonância magnética cardíaca — identifica cicatrizes e infartos silenciosos que passaram despercebidos;
- Exames de sangue, como dosagem de troponina, que indicam lesão do músculo cardíaco quando avaliados em contexto clínico adequado.
Complicações potenciais
Apesar de terem sido silenciosos no momento do evento, infartos podem provocar sequelas importantes. Entre as complicações estão insuficiência cardíaca por perda de função de bombeamento, arritmias, disfunção valvar, edema agudo de pulmão e, em casos graves, choque cardiogênico. Estudos de acompanhamento mostraram que infartos não reconhecidos por quem os sofreu podem ter impacto prognóstico semelhante aos infartos identificados na hora do evento.
Tratamento e medidas preventivas
A abordagem terapêutica depende do momento em que o infarto é diagnosticado e do grau de comprometimento coronariano. Opções incluem tratamento medicamentoso para proteger o coração e prevenir novos eventos e, quando indicado, intervenções revascularizadoras como angioplastia com implante de stent ou cirurgia de revascularização do miocárdio.
Após o diagnóstico, o controle rigoroso dos fatores de risco é essencial para reduzir a chance de novos episódios. Medidas de prevenção incluem controle glicêmico no diabetes, manejo da pressão arterial, tratamento da dislipidemia, abandono do tabagismo, prática regular de atividade física, alimentação balanceada, controle do peso e redução do estresse. Como lembra o cardiologista Ricardo Pavanello, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia, as estratégias para prevenir um segundo infarto são as mesmas para evitar o primeiro.
O que você pode fazer hoje
- Mantenha consultas e exames de rotina com seu médico, especialmente se tiver fatores de risco;
- Monitore a pressão arterial e os exames laboratoriais conforme orientação clínica;
- Procure atendimento se surgirem sintomas novos e inexplicáveis como cansaço extremo, falta de ar ou tontura.
Data de referência: informações e estudos citados até 2018; recomenda-se verificar atualizações e diretrizes mais recentes até 02/10/2026.
Fontes consultadas: https://drauziovarella.uol.com.br/ambulatorio/infarto/infarto-silencioso-veja-quais-sao-os-sinais-riscos-e-como-identificar/
Revisão humana recomendada antes de publicar: informações sobre diagnóstico e tratamento cardiológico.
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via Drauzio Varella

