Como evitar mortes súbitas em eventos esportivos: novas diretrizes e medidas práticas

Como evitar mortes súbitas em eventos esportivos: novas diretrizes e medidas práticas
Sociedades médicas atualizaram recomendações em julho de 2026 para reduzir paradas cardiorrespiratórias durante práticas esportivas

Em resumo

  • A incidência de morte súbita no esporte é de 1 a 2 casos por 100 mil pessoas ao ano.
  • Copamede e SBMEE atualizaram diretrizes em julho de 2026 para padronizar prevenção e atendimento.
  • Recomendações incluem avaliação médica pré-participação com ECG, ecocardiograma e teste de esforço.
  • Plano de emergência exige DEAs acessíveis, treinamentos e ação em 3 a 5 minutos para melhorar sobrevida.

A ocorrência de morte súbita associada à prática esportiva é rara: a Sociedade Brasileira de Cardiologia estima entre 1 e 2 casos por 100 mil pessoas ao ano. Contudo, o aumento expressivo de praticantes e de eventos de rua nas últimas décadas faz com que o número absoluto de episódios também cresça.

Casos recentes ilustram o impacto desses eventos. No futebol, a morte do zagueiro Paulo Sérgio Oliveira da Silva, conhecido como Serginho, ocorreu em 2004 no Estádio do Morumbi após arritmia seguida de parada cardiorrespiratória. Vinte anos depois, no mesmo estádio, o zagueiro Juan Izquierdo, de 27 anos e jogador do Nacional (Uruguai), também sofreu parada em campo. Em corridas de rua no Brasil, somente em 2026 foram registrados ao menos cinco casos de morte súbita entre participantes de 40 a 50 anos.

Em julho de 2026, a Confederação Pan-Americana de Medicina do Esporte (Copamede) e a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) publicaram uma atualização das diretrizes para prevenção da morte súbita no esporte. O documento, editado por Marcelo Leitão, busca padronizar recomendações de prevenção e atendimento de paradas cardiorrespiratórias durante treinos e competições.

Por que a prevenção é necessária

A maioria dos casos de morte súbita no contexto esportivo está relacionada a doenças cardiovasculares previamente não diagnosticadas, como cardiomiopatias, canalopatias, doença coronariana ou anomalias estruturais. Apesar de raros, esses eventos têm desfecho frequentemente grave, o que motiva a adoção de medidas de segurança sem desencorajar a prática de exercício físico.

As sociedades médicas reforçam que os benefícios da atividade física superam amplamente os riscos. No entanto, a segurança deve fazer parte da organização de eventos e da rotina de clubes, academias e escolas.

Avaliação médica pré-participação

Uma das principais mudanças no posicionamento é a exigência de avaliação médica pré-participação para identificar condições clínicas que elevem o risco. Segundo as recomendações, o exame deve incluir, além do exame físico, eletrocardiograma de repouso, ecocardiograma, teste de esforço e avaliação genética quando indicada.

O documento sugere que essa avaliação tenha validade de um ano e possa ser apresentada em diferentes eventos durante esse período, reduzindo entraves logísticos. Marcelo Leitão afirma que essa medida já foi implementada com sucesso em eventos como a Maratona Internacional de Foz do Iguaçu, organizada pelo Sesc Paraná, sem redução no número de inscritos.

Atendimento a paradas cardiorrespiratórias (PCR)

Para reduzir mortes quando ocorre uma PCR, as diretrizes destacam a importância da educação em ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e da presença de desfibriladores externos automáticos (DEA) nos locais de prática esportiva. Atletas competitivos apresentam risco de morte súbita duas a quatro vezes maior que não atletas da mesma faixa etária, segundo o texto.

O intervalo crítico para intervenção é curto: há uma janela de cerca de 3 a 5 minutos para iniciar atendimento eficaz. De acordo com as sociedades médicas, a chance de sucesso da RCP mais que dobra quando a ação começa em até cinco minutos.

Plano de emergência recomendado

  • Mapeamento e acesso rápido a DEAs, com procedimentos claros para acionamento.
  • Coordenação com serviços de emergência locais e hospitais de referência.
  • Treinamentos e simulações periódicas para equipes técnicas e voluntários.
  • Capacitação para reconhecimento rápido de sinais de PCR (perda súbita de consciência, ausência de pulso, respiração agônica).

Cada local deve dispor de equipamentos para ressuscitação (DEA, ambu), suprimento de oxigênio, material de primeiros socorros, meios de transporte e um sistema de comunicação eficiente. O documento recomenda ainda que, em percursos de rua, os DEAs estejam distribuídos de modo que possam ser acessados em até um quilômetro, caso precisem ser deslocados a pé.

“Precisamos atuar antes e durante a prova. Antes, com avaliação pré-participação e identificação de pessoas de maior risco. Durante, com um plano de emergência realmente estruturado: equipes treinadas, DEA acessível rapidamente, ambulâncias bem posicionadas e comunicação eficiente”, explica Cidinha Ikegiri, médica do esporte e colaboradora do documento.

Viabilidade de exigir exames

A obrigatoriedade de exames para inscritos em provas de rua tem sido tema de debate, mas a experiência prática mostra que é possível implementá-la sem reduzir a adesão. As avaliações anuais, válidas para múltiplos eventos, são apontadas como solução para equilibrar segurança e praticidade.

A aplicação das recomendações exige adaptação a diferentes contextos — clubes, escolas, academias e eventos — e investimento em educação de praticantes e preparação das equipes. A intenção não é afastar as pessoas do exercício, mas integrar prevenção e segurança à cultura esportiva.

Data de referência: setembro de 2026.

Fontes consultadas: https://drauziovarella.uol.com.br/coluna-da-mariana-varella/prevencao-de-morte-subita-no-esporte/

Revisão humana recomendada antes de publicar: verificar termos clínicos, protocolos locais de emergência e atualizações regulatórias.

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via Drauzio Varella

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