Em resumo
- Febrasgo alertou em 17/9 sobre riscos do excesso de exames na saúde da mulher.
- Exames sem indicação aumentam achados incidentais e podem gerar procedimentos desnecessários.
- Na obstetrícia, intervenções rotineiras podem prejudicar gestante e feto.
- Custos desnecessários oneram o SUS e a rede privada; selecione exames segundo risco e sintomas.
No Dia Mundial da Segurança do Paciente, em 17/9, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) divulgou um alerta sobre os perigos do excesso de exames e intervenções na saúde da mulher. A entidade chama atenção para práticas que, sem indicação clínica clara, podem provocar mais danos do que benefícios.
Ginecologistas que acompanham pacientes com frequência muitas vezes solicitam uma série de exames, inclusive para problemas fora da área ginecológica. Quando esses exames são feitos de forma indiscriminada, aumentam as chances de identificar alterações sem importância médica — os chamados achados incidentais — que podem desencadear biópsias, procedimentos invasivos e até cirurgias desnecessárias em mulheres assintomáticas, além de provocar ansiedade.
Rastreamento do câncer de ovário e exames rotineiros
Como exemplo, a Febrasgo destaca que o rastreamento de câncer de ovário em mulheres assintomáticas e com risco habitual não é recomendado. O uso rotineiro da dosagem do marcador tumoral CA-125 e da ultrassonografia transvaginal, fora de contexto diagnóstico, não demonstrou redução da mortalidade e tende a produzir resultados falso-positivos. O CA-125 pode estar elevado por motivos benignos, e um resultado levemente alterado pode levar a investigações repetidas, ressonâncias, consultas especializadas e procedimentos invasivos sem necessidade.
Marta Curado Carvalho Franco Finotti, ginecologista e integrante da Comissão de Ética da Febrasgo, alerta para o efeito dominó desses achados e para a importância de solicitar exames com base clínica clara.
Exames hormonais e obstetrícia
Além do rastreamento desnecessário do ovário, dosagens hormonais pedidas sem levar em conta sintomas, idade e contexto clínico costumam ter pouca relevância prática e não são recomendadas.
No campo obstétrico, a preocupação é ainda maior: a gravidez é um período sensível em que a paciente pode pressionar por exames na busca de segurança. Ultrassonografias excessivas, cardiotocografias e outros exames sem indicação podem aumentar a ansiedade e motivar intervenções prejudiciais.
A especialista Finotti ressalta que intervenções como amniotomia, indução do parto sem indicação bem estabelecida, cesariana sem necessidade clínica, episiotomia de rotina e monitorização fetal contínua devem ser avaliadas com cautela para não expor mãe e feto a riscos evitáveis. A recomendação é privilegiar intervenções com indicação e evitar a lógica da intervenção por protocolo único.
Intervenções corretas salvam vidas, mas a prática clínica deve priorizar indicações individuais em vez de rotinas padronizadas.
Em artigo publicado no ano anterior, o oncologista Drauzio Varella também criticou a solicitação indiscriminada de exames, observando que listas extensas de exames podem refletir falta de clareza sobre o que se procura diagnosticar.
Prevenção, iatrogenia e custos
Há uma ideia errônea — mais comum na medicina privada — de que realizar muitos exames equivale a prevenção. Evidências crescentes mostram que o excesso pode ser iatrogênico, causando efeitos adversos decorrentes das próprias intervenções. A seleção criteriosa de exames e procedimentos, baseada em idade, sintomas, histórico pessoal e fatores de risco, é essencial para um cuidado individualizado e eficaz.
Além do potencial de dano clínico e emocional às pacientes, a prática de solicitar exames e intervenções sem indicação acarreta custos desnecessários ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ao setor privado. No SUS, recursos desviados para exames sem benefício comprovado reduzem a capacidade de tratar doenças e investir em prevenção; na rede privada, procedimentos excessivos contribuem para a elevação do preço dos planos de saúde.
Para reduzir riscos, especialistas recomendam que médicos e pacientes discutam claramente objetivos, benefícios e possíveis danos antes de solicitar exames ou autorizar intervenções.
Data de referência: 17/09 (Dia Mundial da Segurança do Paciente).
Fontes consultadas: https://drauziovarella.uol.com.br/mulher/saude-da-mulher-os-riscos-do-excesso-de-exames/
Revisão humana recomendada antes de publicar: orientações clínicas sobre exames e intervenções devem ser verificadas por profissional de saúde.
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via Drauzio Varella

